MULHERES, EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO

Mulher e Empreendedora, sim senhor!

Sou mulher e sou empreendedora. Sou ambas as coisas e não acho nada demais. Quer dizer, isso não parece significar muita coisa, certo? É algo tão comum no mundo de hoje que não nos parece, logo de cara, algo muito especial. Segundo pesquisa da SEBRAE/Global Entrepreneurship Monitor, 51% dos empreendedores brasileiros é do sexo feminino. Como a maioria dessas mulheres da pesquisa, empreender foi o caminho que encontrei para me realizar profissional e pessoalmente, ter melhor qualidade de vida (viver e não sobreviver) e ser valorizada por aquilo que faço e acredito.

Além disso, gosto do ambiente e da cultura do empreendedorismo, me identifico. Tive o primeiro contato com esse meio aos 15 anos, durante o curso técnico de formação gerencial do SEBRAE, e desde então, fui tocada por esse “estilo de vida”. No princípio, ainda muito jovem, não achava tanta graça. Provavelmente pois não tinha a profundidade necessária para compreender o conceito mais geral do empreendedorismo, minha visão era restrita. Mas desde aquela época, algo já me tocava e continuou tocando: o fato de que empreender oferece a possibilidade de ter autonomia, de criar algo novo, de estar no mundo de uma forma diferente, de forma protagonista e transformadora. Disso eu sempre gostei!

Negócio também é papo de mulherzinha

Gostaria de compartilhar hoje a experiência de ter participado de um evento que foi muito significativo para mim. Trata-se do Itaú Mulher Empreendedora, um programa piloto para apoiar mulheres transformadoras da sociedade. Meu envolvimento com o evento começou quando uma ex-cliente e atual amiga, Ana Paula Gaspar, criadora do Mutz,me indicou ao Itaú para ajudá-los a mapear empreendedoras em Belo Horizonte. O Itaú procurava histórias de mulheres empreendedoras que pudessem se transformar em cases para o evento, com o tema “modelo de negócios”. Meu único critério foi pensar em cases que me inspiram e então indiquei mulheres que estão à frente de negócios inovadores e de alto impacto em Minas Gerais e em outros estados.

Uma das sugestões foi aceita e convidada como case para o evento: Vanessa Vilela da Kapeh, marca de cosméticos desenvolvidos a partir do grão do café verde, cujos diferenciais estão na inovação tecnológica e na sustentabilidade.

Forças competitivas

Quase um mês após o primeiro contato, chega o dia do evento. Acordar, tomar café, banho, se arrumar, maquiagem, bloquinho, caneta, celular e disposição para ouvir e trocar experiências… Tudo pronto! Rumo à Fundação Dom Cabral, parceira do evento e realizadora do Projeto 10.000 Mulheres.

Confesso que o evento me surpreendeu. A começar pela palestra de Denise Eler, consultora em inovação e sensemaking, sobre Competitividade. Suas provocações “Onde estão as forças competitivas de seu negócio?”, “Seu modelo de negócios é sustentável?”, “Onde estão as forças competitivas não exploradas?” foram uma boa faísca para a conversa que ganhou calor ao longo da manhã.

Essas provocações fazem muito sentido, a meu ver. Em minha experiência como empreendedora e como consultora em Comunicação Estratégica, percebo com frequência uma grande dificuldade dos empreendedores em entender o que o seu negócio tem de essencial, de único, o que o destaca dos demais. Tanto, que proponho essa questão logo na primeira etapa da consultoria (entenda mais aqui: http://marinaqueiroz.com.br/site/#consultoria). Entender a essência do negócio é fundamental para criar e desenvolver qualquer estratégia futura de negócios e de comunicação (afinal, as duas devem andar juntas, certo?). Outros empreendedores tem dificuldade de encontrar qual o diferencial competitivo, pois algumas vezes esse diferencial não está lá, não existe. Nesses casos, é preciso criá-lo, desenvolvê-lo. Tudo bem, mãos à obra!

A discussão sobre moda, sinal e tendência e suas recomendações (com as quais concordo plenamente), foram contribuições muito relevantes trazidas por Denise e que merecem uma discussão especial a respeito! Mas isso vai ficar para outro momento.

Para inspirar e ousar!

Em seguida, foi a vez de Rosana Marques, empreendedora da Ouseuse, contar sua história. A Ouseuse é uma marca de lingeries, vinda diretamente de Juruaia, no Sul de Minas Gerais. Sua paixão e entrega são a energia que faz não apenas seu negócio, mas a economia de toda Juruaia se moverem. Ela é guiada por princípios como o associativismo, “servir ao outro”, e o investimento constante em Marketing. À frente da Associação Comercial e Industrial do município, Rosana realizou a primeira feira do mercado de lingeries em 1998, que transformou a economia de toda cidade.

A professora lidera também um projeto social chamado “Amigas do Peito” (confiram em: http://ouseuse.com.br/amigasdopeito/), para a prevenção do câncer de mama e o resgate da autoestima da mulher que passou pela mastectomia. A Ouseuse doa sutiens com modelagem especialmente desenvolvida para essas mulheres sob o lema “amar é humano, cuidar é obrigação e ousadia é se prevenir”. Muito emocionante e inspirador!

De fora para dentro!

Uma das empreendedoras presentes, a Lusciméia dos Reis, da Vickye, educação financeira para crianças, perguntou sobre como dar o saldo entre ser uma pequena empreendedora e ser uma empreendedora de sucesso, ganhar impacto, escala, crescer enfim. Respondi a ela o que falo para todos os meus clientes de consultoria:

A maioria deles não conhece o próprio negócio. Diante de questões básicas sobre valores, diferencial, mercado, público, os empreendedores travam e gaguejam. Isso demonstra grande insegurança em pontos que deveriam estar na ponta da língua. Então, como dica fica um princípio antigo: “Conhece-te a ti mesmo”. E por extensão: seu negócio, sua equipe, seu cliente, seu mercado… Sobre isso, sugiro ler também: De Sócrates às Startups: em busca do propósito e do autoconhecimento.

O evento foi uma grande oportunidade para trocar ideias, experiências, aprender ferramentas novas, compreender ainda mais o contexto da mulher empreendedora e ainda fazer bons contatos para negócios. Eu poderia falar muito mais sobre o evento, mas ficaria cansativo. Então vou parar por aqui. Depois se tiver mais algum insight compartilho novamente. Obrigada à Marina Bautista, do Itaú Mulher Empreendedora, pelo convite e pela conversa tão significativa durante nosso almoço. Te espero mais vezes para te apresentar melhor BH!

Ser mulher e empreendedora é especial sim

Então, discordo do que eu disse lá no início. Citando Arnaldo Antunes, “Só porque eu falei não quer dizer que eu não posso estar errado”. Ser mulher e ao mesmo tempo ser empreendedora é sim, algo especial. E por que?

1. É trazer para o mundo dos negócios, majoritariamente masculino, uma perspectiva mais feminina. Não se trata de ver o mundo de forma maniqueísta, dividida entre homens e mulheres, mas de trazer algum equilíbrio para o mundo (yin-yang). De forma geral, esse universo é marcado pelo racionalismo, objetividade e foco em resultados. E as mulheres podem contribuir muito, trazendo atributos diferentes na forma de pensar, agir e sentir como: emoção, subjetividade, empatia, habilidade nas relações humanas e na coletividade.

2. É estar no mercado, lutando para fazer um negócio vingar como qualquer outro empreendedor, mas com mais desafios do que um empreendedor do sexo masculino. É ter que convencer o cliente, o mercado ou a equipe de sua capacidade de realização, seu profissionalismo e competência. Se um homem entra numa negociação já partindo do pressuposto de estar apto para realizar o serviço ou entregar um produto, uma mulher ainda tem que entrar e mostrar que é capaz, antes de qualquer coisa.

3. É ter que equilibrar o papel de empreendedora com outros papéis sociais. Você pode estar pensando: “Ah! Que conversa antiga!” Pois é, mas é real: mulheres de forma geral, exercem mais papéis em seus grupos sociais (leia-se família). Quando são casadas/ tem filhos querem ter clones de si mesmas, para dar conta de tantas atividades e responsabilidades. Mas mesmo quando não se casam e não têm filhos (ou talvez, justamente por isso), as mulheres solteiras também acabam assumindo funções de cuidadoras/ administradoras/ provedoras junto aos pais e irmãos. Qual o problema? Nenhum, se elas escolheram cumprir esses papéis e se realizam assim. Mas o fato é que para elas sobra menos tempo, energia e recursos financeiros para se dedicar a si mesmas: se capacitar, fazer networking, investir em um coaching, e até para usufruir do que o negócio lhe traz – sua independência financeira!

4. É ter que lidar com cobranças descabidas quando tem sucesso como: “Você deveria se dedicar mais aos seus filhos!”, “Agora que está bem de vida, não vai ajudar a família?”, “Quem investiu no seu negócio? Seu pai, seu marido?” e por aí vai…

5. É ter que se preocupar com as aparências mesmo quando seu mundo está caindo. Afinal aprendemos que a autoimagem e o marketing pessoal “são tudo” e que “você é a principal cartão-postal de seu negócio”. E somos mesmo! Com orgulho. Então, no meio de tudo isso, ainda precisamos encontrar tempo e paciência para cuidar de: cabelo, unhas, pele, pelos, ficar magras e nos vestirmos bem para cada ocasião.

Ufa! Parabéns para nós! E parabéns para todos os envolvidos nessa iniciativa. Desejo e espero muitos outros encontros como os de hoje realizados por essas ou outras organizações. O importante é fazer acontecer.

“O mundo começa agora. Apenas começamos.” (Renato Russo).

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